Agosto de 2016, o Brasil vivia seu auge esportivo com o inicio dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro e eu faço uma retrospectiva de tudo que vi e vivi durante meus mais de 50 anos dedicados ao esporte e o meu papel nessa caminhada.

De atleta do futebol onde atuei como profissional no Fluminense F. C. (Rio de Janeiro), Sport Club Recife (Recife) e Seleções Juvenil Carioca e Brasileira à Licenciatura Plena de Educação Física pela UFRJ, iniciei uma carreira extensa e gratificante rumo ao esporte de alto rendimento em meados de1984 como Supervisor de Voleibol no Bradesco Esporte Clube, Superintendente técnico da Confederação Brasileira de Voleibol, Superintendente técnico do Comitê Olímpico Brasileiro e paralelamente Diretor técnico da ODESUR, Gerente de futebol profissional do Fluminense F.C., Gerente geral de alto rendimento no Comitê Olímpico Brasileiro, Membro técnico da ODESUR e Gerente Geral de Integração(COB>Confederações>Ministério do Esporte>Forças Armadas e RIO 2016).

Nesse período, idealizei, organizei e participei de vários eventos esportivos como a criação da Liga Nacional de Voleibol, Campeonatos mundiais de Voleibol sediados no Brasil e a participação na medalha de ouro do Brasil na Olimpíada de Barcelona em 92.

No Comitê Olímpico Brasileiro, de 1995 até o ano de 2009 fui frente e voz no planejamento estratégico da área técnica junto com as Confederações com o objetivo de desenvolver o esporte nacional rumo aos futuros Jogos Sulamericanos, Pan-Americanos e Olímpicos, buscando um espaço significativo no quadro de medalhas.

Depois dessa fase tão gratificante, com um amplo aprendizado me senti mais preparado e plenamente responsável e capacitado para falar sobre esporte no Brasil.

Durante essa trajetória entendi e percebi muito em relação a falta de conhecimento esportivo no desenvolvimento do esporte brasileiro, não por opção, mas sim pela falta de acesso aos conhecimentos necessários por experiências vividas e didáticas, já que estávamos apenas começando e tudo ainda era muito recente.

Desbravando caminhos e abrindo portas tanto na área privada como em instituições governamentais, tínhamos um orçamento basicamente criativo já que o trabalho era nossa maior ferramenta, fomos galgando num universo novo e extremamente necessário.

Perguntas eram frequentes sem nenhum sinal de resposta: será que esse é o caminho?, como faremos para conseguir resultados não tão a longo prazo se dependemos disso para fixar a credibilidade?, Quem de fato pode vestir essa camisa?, e perguntas mais dolorosas como: E a verba ????, pois naquele momento não existiam recursos contínuos como a Lei Agnelo/ Piva que só iniciou a partir de agosto de 2002. Nem por isso nos sentíamos menos corajosos e entusiasmados… Cada conquista era comemorada com a vontade de encarar uma próxima.

 

E hoje, que doce realidade…só que não!!!

Nesse momento, passado um ano, volto a abertura dos Jogos, onde vi um universo totalmente diferente, mais folgado, mais globalizado, mais didático, com farto investimento, mais próximo das grandes nações, com equipes de trabalho tão enormemente distribuídas e percebo que o caminho é muito mais longo agora pois os tempos voltam a exigir o que fizemos lá no começo, muito mais trabalho, muito mais criatividade dentro da  realidade de um Brasil esportivo amador, caminhando agora com mais experiência para um Brasil amplamente profissional em assuntos esportivos… Temos de fato uma massa humana capaz, mas precisamos viver essa realidade esportiva com menos fantasia, mais humildade, com os olhos no futuro e os pés firmes no chão.

Quando penso que cheguei ao meu limite, descubro que tenho forças para ir além.

                                                          Ayrton Senna